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"As histórias são um 'Abre-te Sésamo' para o imaginário, onde a realidade e a fantasia se sobrepõem."
(Vania Dohme)

Espero que gostem deste espaço e que possamos trocar figurinhas de montão!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Um conto de MORTE MORRIDA

                                                            A MORTE E O CAÇADOR


Há muito tempo, quando os bichos falavam e o que era perto era longe, mas o que era longe era perto, um caçador botou uma armadilha atrás de um cemitério, pra pegar um tatu esperto, que já tinha fugido dos seus sete cachorros de caça e de sete tiros de espingarda.
Por seis noites o caçador esperou o tatu, mas nada do bicho cair na armadilha. Foi aí, que na sétima noite o caçador já aborrecido com a armadilha, viu no escuro, alguém alto e magro, com roupas pretas, se aproximar.
_Vai pisar na armadilha_ pensou o homem.
E ouviu o grito do sujeito, que tinha ficado pendurado pela perna, balançando no ar.
_Bem feito!_disse baixinho o caçador, com um risinho maldoso.
E só de raiva, deixou o coitado por meia hora pendurado lá.
Mas quando foi soltar o tal sujeito de preto, o caçador levou o maior susto da sua vida! De perto ele viu que era um esqueleto, feito de ossos puros, que brilhavam na luz da lua.
Com uma voz assustadora o esqueleto disse:
_Me tire daqui!
E o caçador, que já estava duro de medo, disse:
_Quequequem é você?
_Alguém que tem um encontro marcado com você à meia-noite._disse ele_E ande logo, porque seu tempo está se esgotando.
_O senhor se enganou._respondeu o caçador_Meu encontro é com um tatu. E o senhor, quem é?
_Eu sou a MORTE!
_Ah, é?! Então o senhor vai ficar aí esperneando pra sempre.
A Morte ficou quieta, pensou, pensou e falou:
_Eu faço um trato. Me tira daqui e eu realizo um pedido seu.
_Trato feito! Meu pedido é esse: não quero morrer.
_ Isso eu não posso fazer._disse a Morte_Não sou eu quem escolhe quem vai e quem fica.
_Então, boa noite. Passe bem.
E já ia saindo dali quando a Morte propôs:
_Não te levo hoje e marcamos outro encontro.
_150 anos, é o que eu quero.
_É muito. Cem anos.
_É pouco. 120 e não se fala mais nisso.
_Tudo bem. 120. Fechado.
_E não quero ficar doente, nem enrugado.
_Certo. Agora me tira daqui, logo. Preciso trabalhar.
E o caçador tirou a morte do laço. A Morte arrumou a roupa, puxou o capuz sobre a caveira e juntou sua gadanha, que tinha caído longe. Pulou o muro do cemitério e sumiu.
Desse dia em diante, o caçador viveu novo, sem rugas nem cabelo branco. Todo mundo perguntava a ele o segredo da sua juventude, mas ele não respondia, só dava um sorrisinho e nada mais.
Os anos passaram rápido pra ele. E numa caderneta anotava cada ano que passava, até que chegou o último. Aí, começou a anotar os dias. No último dia, o caçador estava com dores de barriga, de tanto medo e pensava por que não tinha pedido mais tempo e feito um acordo melhor.
Foi aí que ele decidiu que ia enganar a Morte. Foi pro banheiro e fez a barba, depois raspou todo o seu cabelo e raspou também as sobrancelhas. Ficou muito estranho, vocês precisavam ver...
Se arrumou todo e foi para um baile.
A Morte já procurava por ele desde o começo da noite. Procurou por toda a cidade até que foi ao salão de baile. Olhou pra tudo que foi lado, perguntou, procurou, mas ninguém tinha visto o rapaz. Por fim acabou chegando perto dele e falou:
_Você, dançarino animado, não viu o caçador?
_Não_disse ele, disfarçando a voz.
_É um sujeito da sua altura, com cabelos pretos, e uma pintinha assim na bochecha, exatamente como essa aí_e a Morte espetou o rapaz com a gadanha.
_Vire esse troço pra lá! Já disse que não vi caçador nenhum!
A Morte ficou quieta, pensou e disse:
_Bom, já que não encontro o caçador, vou levar você mesmo, carequinha.
_Isso não é justo!_gritou o rapaz.
_Pensou que me enganava? Eu nunca me atraso pra um encontro.
E o que se ouviu foi o relógio do salão de baile bater meia-noite...


                                     Adaptada por Minina Arteira, dos Contos de Morte Morrida, de Ernani Ssó

4 comentários:

  1. e ssa historia é muinto legal e eu vou rewsuier ela para colocar na impressora
    parabens para que vez essa historia

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Me chamo Marco Della Favera e peguei a imagem e a carrego a tempos como fundo de tela nos celulares .
    Fiquei feliz com o conto!
    Bem...a 15 dias atras, fiz uma tatuagem dela de 20cm no ombro esquerdo.
    120 anos está bom!
    Abraços!!
    Niteroi RJ

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