Seja bem vindo!

"As histórias são um 'Abre-te Sésamo' para o imaginário, onde a realidade e a fantasia se sobrepõem."
(Vania Dohme)

Espero que gostem deste espaço e que possamos trocar figurinhas de montão!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Bonequinha Preta

Era uma vez uma bonequinha preta, que morava em uma linda casa com Mariazinha. As duas brincavam o tempo todo, e até dormiam juntas quando estavam cansadas.
Todos os outros brinquedos dormiam em outros lugares, pois Mariazinha queria sempre a sua amiguinha, bonequinha preta junto.
Mas, o que ela não sabia, era que as bonequinhas não dormem como as meninas, aquele tempo todo, sem ver o mundo aqui fora. Eram diferentes das meninas e meninos de verdade em muitas coisas.Mesmo assim Mariazinha, ensinava à sua bonequinha preferida tudo o que aprendia com a mamãe: tomar banho, escovar os dentes, trocar roupas limpas, e tudo mais.
Naquele dia, quando foi dormir um pouquinho depois do almoço, explicou direitinho à bonequinha preta que ela não deveria subir sozinha na janela:
- A janela é muito perigosa! A criança pode cair lá fora e nunca mais voltar para casa. Papai disse que precisa ter gente grande perto sempre que a gente quiser ir à janela.
Mariazinha viu que a bonequina entendeu tudo muito bem, como sempre. Então dormiu sossegada...
A bonequinha preta também começou a dormir mas, ... uma voz diferente, forte e interessante entrava pela janela trazendo uma novidade que ela não conhecia:
- Verdureiro, verdureiro!
O que será isso, pensou a bonequinha. Mariazinha , que sempre sabia tudo, estava dormindo e não podia contar nada sobre verdureiros, que deviam ser seres novos e sensacionais! Ela precisava ver!Talvez seja isto: um cara todo verde!Ou quem sabe isto: alguém saindo assim do verde.Também podia ser um destes: nunca tinha visto um.
- Verdureiro, verdureiro!
Ir ou não ir só um pouquinho na janela? A dúvida passou rapidinho e logo ela já estava lá, tentando olhar tudo. Ela não queria cair, mas estava difícil ver. Subiu só mais um tantinho e... tibum!caiu lá embaixo!Por sorte, o verdureiro estava passando bem na hora, ela caiu em cima das verduras fofinhas de seu grande cesto. Ela era tão levinha que ele nem percebeu e continuou andando pelas calçadas com seu canto:
- Verdureiro, verdureiro!
Passou por várias ruas onde a bonequinha preta nunca tinha ido, cada vez mais longe...
Então o verdureiro decidiu voltar para casa, pois já era tarde. Entrou pela garagem escura, sem ver a bonequinha assustada que estava ali. E subiu as escadas para chegar em casa, largando o cesto no chão.A bonequinha preta começou a chorar, de tanto medo que estava daquele lugar estranho e escuro. Cair da janela assim tinha sido uma grande besteira, e Mariazinha não ia gostar nada de ter sido desobedecida. Então chorou e chorou mais ainda, sem nenhum consolo...Nenhum?
Um gatinho que ia passando por ali ouviu aquele choro tão doído e ficou com muita pena da Bonequinha Preta. Tentou fazer gracinhas para ela sorrir, mas não deu certo.
- Então, o que posso fazer por você?
- Não sei, eu fui olhar só um pouquinho na janela, sem Mariazinha saber. Ela disse para eu não ir sozinha, e agora perdi minha linda casa!
- Talvez eu possa ajudar. Os gatos passeiam pela noite, e se você me contar como é sua casa, talvez eu a encontre.
- É uma linda casa branca, com janelas azuis, e uma menininha dentro, que deve estar muito triste agora.
E assim, o gato saiu pelas ruas à noite, procurando a casa certa. Procurou, procurou e...Encontrou aquela linda casa branca, com janelas azuis, e uma linda menininha que chorava muito.
-Vamos lá buscar sua bonequinha preta que caiu no cesto do verdureiro!
E lá foram os dois.
Quando chegaram, foi aquele abraço! Toda a choradeira passou e as duas se prometeram nunca mais se separar. Voltaram juntas para casa mas, na hora de se despedir do gato, ficaram com tanta pena, que o convidaram a morar com elas na linda casa . Ele gostou muito da idéia.
Assim, a história acaba com todos felizes, merecendo no fim um ponto de alegria bem grande!
FIM

Em breve vou postar fotos da Feira do Livro que tivemos na nossa escola. Este conto foi um dos preferidos pela criançada e minhas amigas Meibel e Rosa Caruzo fizeram um GRANDE trabalho com as crianças supertalentosas do 2° ano do 2° ciclo. Aguardem...
A última folhinha verde

Aconteceu, a muito tempo atrás, no Hemisfério Norte...
O Rei estava de cama, muito doente...morrendo lentamente.
Porém, mais forte do que a doença que lhe consumia, era o profundo desanimo que lhe faltava a alma. O rei havia desistido de viver.
Sua filha vinha vê-lo todos os dias e tentava anima-lo, relembrando dos bons momentos da vida.
Mas em vão, ela não reagia.
O rei havia desistido e viver.
Passava os dias inteiros na cama, olhando para a janela à sua frente e observando uma grande árvore que ia lentamente perdendo suas folhas, porque o outono havia chegado.
Em uma manhã, quando a filha tentava animá-lo, o rei lhe disse:
__"Sabe, filha, quando aquela árvore perder a última de suas folhas, terá chegado a minha hora de morrer..."
__Que é isso pai? Que tolice! Por que amarrar o seu destino ao destino de uma árvore?
__Mas o rei não a ouviu, tão absorvido estava em sua melancolia.
A filha então compreendeu que existem momentos em que as palavras ficam muito pobres e não dão mais conta de acender uma luzinha no coração das pessoas.
Resolveu Agir.
Assim que o pai adormeceu, a moça entrou no quarto com um pincel e um potinho de tinta verde. Subiu em um banquinho e pintou no vidro da janela, bem no rumo da árvore que seu pai olhava, uma folhinha verde.
À medida em que o outono ia avançando e o inverno tomava seu lugar, as folhas da árvore desprenderam-se todas e saíram dançando ao vento...
O rei observava cuidadosamente todos os seus movimentos.
Observava, especialmente, uma certa folhinha verde muito teimosa e persistente, que não se movia do lugar e ficava agarrada a árvore, não importava o quão forte fosse o vento, quão inclente fosse a chuva.
Até que a neve chegou e cobriu a árvore com um manto branco.
Mas, de sua cama, o rei havia atado o fio da vida àquela folhinha verde e continuava olhando-a fixamente.
E foi assim, agarrando-se à folhinha verde que o rei atravessou o inverno de sua doença e o inverno de sua alma.
Então, quando a primavera chegou e muitas novas folhinhas cobriam a árvore e àquela pequena folha verde ficou perdida entre tantas outras, o rei encontrou seu ânimo, sua vontade de viver e ficou de pé. E voltou a vida.
Mais tarde, enquanto limpava a folhinha pintada na janela a filha pensou:
__"Espero que, algum dia, se o desânimo tomar conta do meu ser, alguém consiga oferecer uma folhinha verde, para que eu possa receber, através dela, a seiva da vida."
Reescrita por Rosângela Alves

Adoro essa história, que é também uma lição de vida...
Um beijo no coração!