Seja bem vindo!

"As histórias são um 'Abre-te Sésamo' para o imaginário, onde a realidade e a fantasia se sobrepõem."
(Vania Dohme)

Espero que gostem deste espaço e que possamos trocar figurinhas de montão!

domingo, 17 de junho de 2012

Sugestão de Recursos para Contar Histórias

Tenho recebido diversos pedidos de modelos, moldes, sugestões para confeccionar recursos para contar histórias. Daí decidi postar imagens que tenho arquivado ao longo dos anos de navegação pela grande rede. São colhidas no espaço cibernético e não vou postar os créditos, porque não me recordo muitos dos lugares de onde busquei. Se algum autor desejar requerê-los é só avisar comentando. Espero que os posts possam ajudar na deliciosa missão de encantar os nossos pequenos. Beijoca!


Idéias para dedoches







Fantoches









Logo posto mais idéias.

quinta-feira, 14 de junho de 2012


Mais uma história deliciosa contada pelo talentosíssimo Augusto Pessoa 
Espero que gostem também. Um abraço!





A TERRA ONDE NINGUÉM MORRERÁ - conto popular
Uma vez um jovem, que morava numa aldeia, sentou para descansar na sombra de uma árvore. Quando olhou para o lado viu uma figura toda vestida de preto. Mas o moço não teve medo e puxou assunto com a tal figura. Durante a conversa ficou sabendo que aquela figura era a Morte. O rapaz ficou em pé e com uma faca na mão, gritou:
- Se veio pra me levar vai ter briga! Não quero morrer de jeito nenhum! Tenho muita vida pela frente!
A Morte, muito calma, sorriu:
- Calma, amigo. Que nervoso é esse! Só estou aqui descansando. Sua hora ainda está longe
de chegar. Um dia eu pego você, mas não vai ser por agora!
Disse isso e desapareceu numa nuvem de fumaça. O jovem ficou pensando. Não queria morrer nem quando ficasse velho. Para ele, a morte era uma injustiça. Decidiu que não iria morrer. Ia procurar um lugar
quase impossível. Uma terra... Uma “terra onde ninguém morrerá”.
- Deve existir um lugar assim! Eu só tenho que encontrar!
O jovem abandonou sua aldeia e foi pelo mundo afora em busca da “terra onde ninguém morrerá”.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
Pois ele andava e perguntava, para todos que encontrava, sobre a tal terra. Mas ninguém nunca tinha ouvido falar no tal lugar. O jovem teimoso foi em frente. Um dia encontrou um homem velho puxando uma carroça velha. A carroça estava cheia de pedras.
- O senhor sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
- Se não quer morrer - respondeu o homem velho – me ajude.
E apontou o dedo para longe.
- Está vendo aquela montanha? Enquanto não transportar toda aquela montanha com minha carroça, pedra por pedra, terra por terra, eu... e quem me ajudar não morrerá!
- Mas por quanto tempo vai durar isso?
- Mais ou menos cem anos!
- É pouco! Quero viver bem mais! – disse o rapaz.
Despediu-se e foi embora.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
Até que encontrou um homem muito velho, muito mais velho que o primeiro, com um machado na mão.
- O senhor sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
- Se não quer morrer - respondeu o homem muito velho – me ajude.
E apontou o dedo para longe.
- Está vendo aquela floresta? Enquanto não cortar toda aquela floresta, tronco por tronco, galho por galho, eu... e quem me ajudar não morrerá!
- Mas por quanto tempo vai durar isso?
- Mais ou menos duzentos anos!
- É pouco! Quero viver bem mais! – disse o rapaz.
Despediu-se e foi embora.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
Até que encontrou um homem muito, muito velho. Muito mais velho que os outros dois juntos. O velho carregava um balde muito, muito velho, cheio de água.
- O senhor sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
- Se não quer morrer - respondeu o homem muito... muito velho – me ajude.
E apontou o dedo para longe.
- Está vendo aquele mar? Enquanto não transportar todo aquele mar com meu balde, pingo por pingo, gota por gota, eu... e quem me ajudar não morrerá!
- Mas por quanto tempo vai durar isso?
- Mais ou menos trezentos anos!
- É pouco! Quero viver bem mais! – disse o rapaz.
Despediu-se e foi embora.
Anda, anda que anda! Anda, vai procurar!
Anda, procura e encontra
A terra onde ninguém morrerá!
E dessa vez ele andou muito. Andou muito mais do que das outras vezes. Até que viu um castelo branco todo enfeitado. O moço foi até lá. Chegou no castelo e bateu na porta. Silêncio. Bateu de novo. Ninguém atendeu. Ele andou pelo jardim do castelo e, perto de uma fonte, encontrou uma moça que o chamou pelo nome. A jovem era linda. A moça mais linda que o rapaz já tinha visto.
- Por favor - disse ele - Por acaso sabe onde fica a “terra onde ninguém morrerá”?
A moça sorriu:
- É aqui! Aqui é a “terra onde ninguém morrerá”! Fique para sempre comigo. Enquanto estiver aqui você vai viver!
- Mas por quanto tempo? – quis saber o rapaz.
- O tempo que você desejar!
Era tudo que ele queria ouvir. A partir daquela manhã passou a morar com a moça no castelo. E era tudo maravilhoso: comida farta e da melhor qualidade, roupas finas e elegantes, as bebidas mais inebriantes, música suave e encantadora. E a noite, o rapaz dormia com a bela moça numa cama macia como uma nuvem. Com lençóis perfumados de alecrim. E o rapaz lembrava da Morte.
- Enganei a bandida!
Mas o tempo é bicho danado. E corre depressa acabando com tudo.
E o rapaz começou a sentir uma coisa engraçada. Uma saudade da família, dos amigos e da sua aldeia. Teve tanta saudade que falou para moça:

- Quero visitar meus parentes... meus amigos... Estou com saudades!
- Por quê? - perguntou ela. - Somos tão felizes!
- Mas eu sinto saudade - explicou o rapaz.
A moça bem que tentou convencer o rapaz, mas não teve jeito. Ela viu que estava na hora de revelar a verdade. E falou bem manso para o rapaz:
- Não sei se você vai encontrar seus parentes e amigos, pois você já está morando aqui comigo há mais de quinhentos anos.
O rapaz arregalou os olhos. Não queria acreditar, mas a moça explicou com tanta verdade que ele se convenceu. Mas era teimoso e insistiu:
- Mesmo assim quero voltar para, pelo menos, rever minha aldeia. Quem sabe não encontro por lá um parente?
A moça apenas disse:
- Está bem! Se você assim quer... vá!
Ela deu ao rapaz um cavalo branco e explicou:
- Esse cavalo é mágico. É capaz de galopar mais rápido do que o vento. Mas agora preste muita atenção: nunca desmonte do cavalo e, principalmente, nunca, de jeito nenhum, coma qualquer coisa enquanto estiver fora da “terra onde ninguém morrerá”. Entendeu?
O rapaz entendeu. Pegou o cavalo e partiu. Foi viajando e quanto mais viajava mais espantado ficava. O mundo estava completamente diferente! Onde antes existia uma imensa montanha agora era uma cidade. Onde antes tinha uma floresta agora era uma planície. Onde antes existia um mar, o chão estava tão seco que até rachava. Chegando à pequena aldeia onde morava, encontrou uma metrópole grande e muito movimentada. Falou seu nome. Ninguém conhecia. Perguntou sobre sua família. Ninguém mais lembrava. Procurou sua antiga casa. Não existia mais. Desconsolado, o rapaz achou melhor voltar para a moça do castelo na “terra onde ninguém morrerá”. Foi andando, mas sentiu o corpo fraco. Estava cansado, com saudade e com fome. No caminho, encontrou um homem vendendo maçãs. A fome apertou na barriga do rapaz e ele, esquecendo o que dissera a moça, perguntou ao vendedor:

- Dá pra me vender umas maçãs?
- Quantas? - quis saber o sujeito.
- Uma ou duas.
- Só isso? Pode pegar. Não vai custar nada. É por conta da casa.
O rapaz desmontou do cavalo, escolheu uma maçã e mordeu. Foi quando uma mão fria e forte agarrou sua nuca.
- Agora você não me escapa!
O vendedor era a Morte! O rapaz sentiu o corpo amolecer e a escuridão tomar conta de tudo.
Adaptação de Augusto Pessôa